De fato, sempre me acostumei a ser insignificante. Um desdém ao me olhar no espelho. Escrevia histórias tristes em diários esperando que um dia alguém lesse com dó. Na maioria das vezes, gostava de ser amaldiçoada. Era gostoso me conformar com a dor e chorar riachos, por mais que não houvesse um sequer motivo.
Passei por aquela época em que filmes de comédia e romance com final feliz não tinham a mínima graça, não faziam parte do meu repertório. Queria um drama, um drama bem frio! O qual eu pudesse chorar de soluçar e me imaginar no lugar do personagem. Queria músicas barulhentas, trilha sonora perfeita para a tristeza, poder berrar e se mesclar com as distorções de guitarra sem ninguém perceber o meu transtorno. Queria um amor errante, platônico, o qual eu pudesse me cortar com as iniciais do seu nome ao som de Love Hurts do Incubus.
Queria ser o centro dos olhares condoídos, embora quizesse estar embaixo de uma luminária e demonstrar-me segura o tempo todo. Queria que todos me achassem fraca, porém, forte. Eu escrevia meus pontos fracos em diários, e hoje, em um blog.
Gostava de ser criticada, discutir o meu lado, e mostrar que não mudo tão rápido de opnião. E hoje, somente quero que não me vejam superficialmente. O que passou, passou. Uma vez, um menino no msn disse que sempre me via na rua mas tinha medo de falar comigo, talvez pelo meu suposto aspecto de emburrada com a vida, o que na verdade, não passa de uma menina pensativa. Existem sorrisos por traz dessa capa preta, acreditem. É difícil achar uma metáfora descritível para o passado e o presente, a vida é totalmente imprevisível. Um contraste.